"Quem caminha em direção a si mesmo corre o risco do encontro consigo mesmo. O espelho não lisonjeia, mostrando fielmente o que quer que nele se olhe; ou seja, aquela face que nunca mostramos ao mundo, porque a encobrimos com a persona, a máscara do ator. Mas o espelho está por detrás da máscara e mostra a face verdadeira." (Carl Gustav Jung)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Carta para Caeiro (ou o medo do cadafalso)


Sou um sonhador pragmático.
Tenho medo do escuro, das pessoas, das coisas.
Por isso, vivo na claustrofobia de meu interior errático.
Minhas palavras são rotas,
assim como meu pensamento catártico.
Vejo as nuvens em formas vivas e alvas,
tal como Dom Quixote via os moinhos de vento estáticos
convertidos em gigantes bravatários.

Todavia, mantenho meus pés sujos no chão avermelhado.
Não que eu seja precavido.
Sou apenas um reles covarde ao fracasso fadado.
Colherei ódio e compaixão (e não batatas humanitistas)
ao final do campo de guerra, vulgo vida.
Sozinho no campo,
aguarda-me o amigo de horas vulgares,
o pastor de rebanhos, Alberto Caeiro.

Defronte,
se deparam dois fingidores com suas respectivas dores.
Obrigado, amigo, por reconfortar-me,
por mostrar-me que não sou o único
com um coração melancólico a explodir.

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