"Quem caminha em direção a si mesmo corre o risco do encontro consigo mesmo. O espelho não lisonjeia, mostrando fielmente o que quer que nele se olhe; ou seja, aquela face que nunca mostramos ao mundo, porque a encobrimos com a persona, a máscara do ator. Mas o espelho está por detrás da máscara e mostra a face verdadeira." (Carl Gustav Jung)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Melancolia melancólica, pleonasmo pleonástico




Por trás daqueles óculos há dois olhos marejados de melancolia. Por trás daqueles olhos marejados de melancolia há uma mente incomodada com o mundo ao seu redor. Por trás daquela mente incomodada com o mundo ao seu redor há um ser humano descontente com a modernidade.

Ele é aquele que gosta de andar nas sombras ou em meio à escuridão. Isso o torna depressivo, gótico ou simplesmente triste por natureza? Não, até porque ele não gosta de estereótipos. No máximo ele se considera melancólico, não no sentido literal, porém em uma definição mais ampla, mais próxima da idéia própria do expressionismo em si, ou seja, ele se considera um ser contraditório, ora triste, ora feliz, ora esperançoso, ora pessimista, ora isso, ora aquilo.

E quem é esse ser abjeto afinal? É aquele que reside no eu-poético, no eu-lírico, no eu que escreve essas mal traçadas linhas de melancolia melancólica, de pleonasmo pleonástico, de pensamentos mal resolvidos, mal pensados, vindos de uma mente mentecapta, inventariosa de inventários mentais.

Exorcizar esse ser não vale nem valerá, é melhor deixá-lo com seus pensamentos e suas escritas em meio ao futuro, passado ou presente que se dará.

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