"Quem caminha em direção a si mesmo corre o risco do encontro consigo mesmo. O espelho não lisonjeia, mostrando fielmente o que quer que nele se olhe; ou seja, aquela face que nunca mostramos ao mundo, porque a encobrimos com a persona, a máscara do ator. Mas o espelho está por detrás da máscara e mostra a face verdadeira." (Carl Gustav Jung)

terça-feira, 27 de março de 2012

O poeta e eu

Era uma vez um poeta de rimas óbvias,
de emoções por demais simplórias.
Cantava sobre realidades ilusórias.
E esse poeta era eu.

Enquanto os outros diziam algo sem rodeios,
eu seguia no caminho dos floreios.
Os outros prestavam odes ao sangue.
A mim importava o breve instante.

Nem eu nem os outros éramos melhores ou piores.
Éramos apenas indistintos senhores,
cada qual com olhares inquietos sobre os interiores.

A mim importavam os sentimentos, as emoções.
Os outros se motivavam pelos ferimento, pelos esbarrões.

E como nos enxergávamos?
Nesse ponto, ambos concordávamos,
pois o poeta se vê sempre como mero estranho,
como alguém que não se encaixa nesse mundo mundano.

Nenhum comentário: