"Quem caminha em direção a si mesmo corre o risco do encontro consigo mesmo. O espelho não lisonjeia, mostrando fielmente o que quer que nele se olhe; ou seja, aquela face que nunca mostramos ao mundo, porque a encobrimos com a persona, a máscara do ator. Mas o espelho está por detrás da máscara e mostra a face verdadeira." (Carl Gustav Jung)

terça-feira, 26 de abril de 2011

I'm not easy


Quem anda pelas ruas dos centros urbanos sabe o quanto é difícil se movimentar sem esbarrar em alguém. A cada segundo, algum ser ordinário passa na nossa frente e temos de desviar nosso caminho, pois, afinal de contas, dois corpos não ocupam o mesmo espaço, ou pelo menos aprendemos isso no colégio. Se você, garota bela, atravessasse meu caminho, seria diferente, seria mágico.

Imaginem a cena. Eu, no alto de meu um metro e 75 centímetros de altura distribuídos por um corpo magrelo e longilíneo, dando de frente com uma modelo internacional ou com uma mulher com um corpo típico da Sophia Loren ou da Claudia Cardinale dos anos 1960 (ou mesmo da Marylin Monroe ou da Jane Russel). Seria um momento surrealista tropical. Daí seus cabelos loiros ou morenos balançariam ao vento em câmera lenta enquanto eu a observaria de maneira impassível. Quando acordasse de meu surto e olhasse para os lados, não haveria ninguém, apenas eu e minha musa.

Ela me daria um beijo ardente e eu ficaria sem entender como aquilo está acontecendo. Daríamos nossas mãos e faríamos todas as coisas típicas de dignos namorados, inclusive as mais sujas e lascivas. Nosso amor duraria para sempre até que... Sempre existe o até que (o "eterno enquanto dure" de Vinícius de Moraes). Infelizmente, nada que é bom dura para sempre (já dizia o ditado: “acabou-se o que era doce”). Daí ela começaria a ter surtos de vaidade e eu, pouco atraente que sou, não poderia satisfazê-la. De repente, ela se transformaria no diabo, me atormentaria sem fim. Como somos os únicos seres humanos do mundo, não teria como terminarmos nosso relacionamento, pois logo, devido à solidão, voltaríamos um para o outro e se iniciaria um círculo vicioso.

Então resolveria tomar medidas drásticas. Pediria a ela um último beijo, pois iria me refugiar em alguma montanha qualquer. Ela me atenderia prontamente. Beijaríamos-nos ardentemente e longamente. Repentinamente, não sinto seus lábios, não a sinto envolta por meus braços. Abro meus olhos e vejo em minha frente um senhor de cabelos brancos e com um bigode à moda de Nietzsche. Ele me observa com um olhar intrigado, mas ao mesmo tempo de escárnio. Desvio do arremedo de Nietzsche e sigo meu caminho, aprendendo que não é de meu feitio amar mulher alguma no momento em que ninguém está olhando e não é de meu feitio tomar a mão de qualquer mulher se eu não estou certo.

Nenhum comentário: